Dia do Jornalismo e sua influência no rádio

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O compromisso com a informação e a ética com os cidadãos desde sempre estiveram em evidência no rádio e foram inúmeras transformações até chegar a uma transmissão bem sucedida. O jornalismo no rádio atravessou fronteiras e permaneceu desde a primeira instalação efetiva e definitiva da radiodifusão no Brasil. Já produzimos um post falando sobre a história do rádio onde você fica por dentro de como aconteceu toda revolução e adaptação do rádio nesses 116 anos de existência.

A verdade é que tudo mudou, criaram-se novas tecnologias, linguagens e modelos de consumo. Acompanhar essa mudança fez com o que o jornalismo também se adaptasse às novas formas. Segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia de 2016 (PBM), o rádio está entre os três principais meios de comunicação pelo qual o brasileiro se informa, perdendo apenas para TV e Internet, além disso, 63% dos entrevistados ainda ouvem rádio pelo modelo tradicional.

Das ondas eletromagnéticas às reações das redes

A força do rádio tradicional é indiscutível e foi reconhecida como o primeiro meio de comunicação em massa, mas o que chama atenção é justamente a migração que ele vem fazendo, a internet se tornou o oxigênio do rádio, e ele sobrevive. O jornalismo que se faz no rádio hoje sem o auxílio das novas tecnologias se torna quase inviável.

 

Para o recém formado em Jornalismo, Yan Pedro (21), o rádio tem sido cano de escape para o que ele mais ama na área da comunicação, o esporte. Yan possui um programa de debate esportivo no rádio que discute sobre o Joinville Esporte Clube (JEC), na rádio Udesc todas as terças às 20h. “Acredito que uma das funções do rádio é trazer a notícia que está perto de você”, argumenta. Ele fala que no rádio é possível extrapolar e por isso é uma mídia tão maravilhosa, para Yan, a internet abriu portas de maneira espetacular para quem gosta de produzir conteúdo e fazer jornalismo no rádio.

Longe de achar que o rádio pode ser substituído ele avalia de forma positiva: “Muita gente ainda ouve o rádio tradicional, principalmente em cidades pequenas.”, comenta. Reflexo disso é que o jornalismo no rádio permanece bravamente e ecoa aos quatro ventos através da interação, personalização e velocidade de informação aos ouvintes.

Novos Rumos

As transformações acontecem o tempo todo, com o rádio não seria diferente, quando se fala em rádio jornalismo, logo se pensa em maneiras alternativas de praticá-lo. Mas como será que esse assunto tem sido abordado por profissionais da área? Evandro de Assis é jornalista pela Univali e professor universitário, especialista em direção editorial (ESPM-SP) e mestrando em Jornalismo pela UFSC. Teve cinco anos de experiência com o rádio no início da carreira e hoje seu envolvimento se resume à disciplina de Radiojornalismo no Ensino Superior Bom Jesus/Ielusc em Joinville – SC.

Ele afirma que a ética no radiojornalismo não é diferente em relação às outras mídias. “Mesmo com a característica da instantaneidade, que impõe grandes dilemas aos profissionais, hoje também pode ser observada no jornalismo digital. O principal, a meu ver, é ter noção de que quando se produz e distribui informação você é responsável pelos eventuais impactos na sociedade. Isso torna o trabalho do radiojornalista muito mais complexo do que o senso comum leva a crer”, observa.

Evandro lembra da grande tradição no jornalismo local, embora hoje em dia os desafios econômicos para as emissoras tenham limitado investimentos em produção de conteúdo relevante. “Com as possibilidades que a digitalização ofereceu há um novo processo de segmentação, não só geográfica, mas temática”, reforça.

O rádio está preparado para as novas tecnologias, o podcast não deve ser visto como um concorrente, mas sim como uma tecnologia de apoio. As rádios onlines não estão engolindo o rádio tradicional, elas estão criando oportunidades para que a produção de conteúdo seja horizontal. Mas o profissional de radiojornalismo precisa estar preparado para ser jornalista e atuar em todas as mídias ao mesmo tempo. Evandro indica que há centenas, talvez milhares, de rádios online e podcasts no Brasil. Ele ainda é mais enfático quando diz que isso é um fenômeno fantástico, porque permite que mais vozes se expressem por meio dessa linguagem fascinante. “Se a tendência observada nos Estados Unidos nos últimos anos se repetir no Brasil, é há motivos para se acreditar nisso, o rádio terá uma nova era de ouro pela frente, mas agora digital”, finaliza.

Por fim, o jornalismo independente de qualquer definição, serve para contar tudo que existe no mundo de forma clara e coerente, seja pelo rádio tradicional, podcast, plataformas alternativas ou qualquer outro veículo de comunicação.