Entrevista: Ana Pellicer

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Trabalhou fazendo merchandising em rádio e se orgulha ainda hoje da oportunidade de trabalhar com os maiores comunicadores do rádio de São Paulo. Entres eles: Eli Correa, Kaká Siqueira, Paulo Barbosa, Gil Gomes, Zé Bétio, Paulinho Boa Pessoa, João Ferreira, Sérgio Luís, Roni Magrini entre outros. Ana explica que foi um dos períodos de maior aprendizagem e conhecimento. Além de ter feito muitos amigos. Paralelamente, apresentava, aos sábados à noite,  um programa na Rádio Imprensa FM junto com o locutor Marcos Viana – O Agito Total. Em 2009, recebeu um convite para trabalhar na Rádio Nova Brasil FM, segmentada em música brasileira, onde está até o momento.

Como começou a sua história com rádio?

Crise é igual a oportunidade, que é igual a descobertas, que é igual a realização de sonhos. Foi essa a conclusão que cheguei em 1998, aos 32 anos,  quando fiquei sem emprego e após ter trabalhado 10 anos no setor de Construção Civil (área em que me formei). Nesta época, estava com dois filhos, marido e construindo a minha casa.

Como queria acompanhar mais de perto o crescimento dos meus filhos e ao mesmo tempo não queria e nem podia parar de trabalhar, fui em busca de uma atividade onde eu poderia administrar o meu tempo e os meus horários. Não queria ficar presa 8 horas em um escritório, fora as horas de deslocamentos entre ir e vir. Era muito tempo longe dos pequenos. Não queria isso pra mim nem para eles então, resolvi me especializar na área da qualidade, fiz cursos de auditoria, implantação da ISO 9000 e comecei a prestar serviços em empresas.

Quando, no ano 2000, ouvindo a Rádio Bandeirantes AM, Alexandre Rangel apresentando o Boletim MOMENTO DA QUALIDADE,  pediu currículos de pessoas interessadas em atuar na área. No mesmo momento, enviei o meu e depois de uns 15 dias recebi um telefonema. Na hora, identifiquei a voz, era o Alexandre Rangel, com o seu sotaque bem característico do Recife.

Deste contato surgiu a oportunidade de auxiliá-lo na implantação da ISO 9000 na Rádio Bandeirantes AM. Comecei a participar de reuniões para a elaboração de procedimentos, organogramas, fluxogramas e ter os primeiros contatos com o meio Rádio. Chegava mais cedo e ficava observando o pessoal na redação e dos estúdios tanto do AM como do FM. Algo me fascinava e me encantava naquela rotina. Paralelo a toda essa rotina, o meu papel como mãe também estava a mil! Sempre lia estorinhas para os pequenos e em um dia na sala de espera do consultório da pediatra comecei a ler para eles e, quando levanto os olhos do livrinho vejo mais três crianças bem atentas me ouvindo. Perguntei a elas se estavam gostando e elas, animadas, disseram que sim e pediram pra eu continuar a contar mais.

Foi neste momento que tive um insight: Trabalhar com a voz! Meu marido tem um primo que é locutor de rádio, a quem fui procurar para saber como era e o que precisava fazer para trabalhar na área.

Lembro como se fosse hoje. Fui vê-lo trabalhar. Que loucura! Falar e operar a mesa no maior pique com uma maestria incrível! Uau! Pensei: Será que consigo fazer isso? Na época, ele estava na Rádio Transamérica (SP) e, super atencioso e prestativo, disse que o primeiro passo era fazer um curso de locução. Como nunca tinha tido contato com o microfone me matriculei em um cursinho preparatório que o SENAC oferecia para fazer o teste para ingressar no curso de locução.E no primeiro dia de aula foi quando eu tive certeza absoluta do que eu queria para minha vida profissional.

Queria ser locutora! Meu coração começou a bater mais rápido, acelerado como quando a gente vê a pessoa por quem que está apaixonada. Quando entrei naquele estúdio senti que os meus olhos tinham um brilho especial. Eram sentimentos que não podiam passar despercebidos e deixados para lá. Bingo! Era isso! Paixão pelo que faz! É o principal ingrediente para superar as dificuldades, adversidades e ir em busca da realização de um sonho.

Qual a importância desta mídia como meio de comunicação?

Acho fundamental para a sociedade como um todo. Rapidez, dinamismo, interatividade, companheirismo, entretenimento, informação, prestação de serviços, agilidade, imediatismo, diversão.

Atualmente, as pessoas se queixam por falta de tempo. Por isso, não há melhor forma de se manter atualizado, relaxar e se entreter com a programação de uma rádio favorita e até mesmo com um comunicador ou locutor que você curte ouvir fazendo as suas atividades diárias. É muito simples e prático!

Você começou a trabalhar na área já no início da internet comercial, como você acha que a rádio foi influenciada por esta tecnologia?

A internet é uma ferramenta onde a rádio pode utilizar para se aproximar e interagir de uma forma rápida e direta com o seu ouvinte. Acho que o rádio se adaptou muito bem à essa tecnologia. Facilitou ainda mais a interatividade com as ferramentas que ela oferece, principalmente com as redes sociais.

As Web Rádios vieram para ficar?

Eu acredito que sim. Com o crescimento de usuários da internet, o uso de smarthphones, melhora da tecnologia, utilização de aplicativos as Web Rádios vieram para fornecer mais uma opção de ouvir rádio, para empresas consolidarem suas marcas e  ajudar também a oferecer mais uma opção para fidelizar o seu ouvinte. Além de ser mais um espaço para profissionais da área atuarem e mostrarem o seu talento.

Na sua opinião, qual é o futuro da rádio?

Acredito que a tecnologia só veio a ajudar o meio rádio. Antes dela, tínhamos limitações com o alcance, agora com o uso da internet, podemos ouvir e acompanhar programações de qualquer parte do mundo.

Os canais de interação com o ouvinte estão muito mais facilitados (emails, redes sociais). Houve uma adaptação muito rápida do rádio com a utilização dessas ferramentas o que ajuda a aproximar, ouvir e fidelizar mais o seu público com a programação.

O rádio, se adequando e acompanhando as mudanças estará sempre vivo e companheiro!