Entrevista: José Armando Vannucci

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Do que ele mais gosta neste meio é a agilidade e a necessidade do profissional estar sempre alerta. Não dá para se prender a roteiros muito rígidos como em outros campos midiáticos. “Não é por menos que o rádio forma grandes comunicadores, atualmente os mais valorizados em outras mídias”, afirma. Vannuci conversou com a BRLOGIC sobre a importância do meio, sobre  o contexto atual em que qualquer pessoa pode criar uma rádio online e trouxe uma visão de um profissional experiente sobre o que vem por aí neste mercado.

Qual a importância da rádio como meio de comunicação?

O rádio ainda é o veículo mais próximo do cidadão. Ele é procurado nos momentos em que você necessita de informações e da agilidade para tomar decisões importantes para seu cotidiano. É o amigo e companheiro com sua programação de entretenimento e musical. O fato é que, independente da ocasião, é próximo e, portanto, altamente influenciador.

Você começou a trabalhar na área já no início da internet comercial, como você acha que a rádio foi influenciada por isso?

Infelizmente, as rádios demoraram para compreender como poderiam se beneficiar com a internet. A nova plataforma possibilitou agregar valor e conteúdo ao que era oferecido por rádio. Atualmente, alguns donos de emissoras sonham em transformá-las em televisão através da internet. O que é uma bobagem e um grande erro. A produção é bem diferente nas duas mídias e uma não pode matar a outra. Entretanto, é possível oferecer a imagem como complemento, desde que esta não mate a magia do rádio. Aqui no Brasil, poucos são os que realmente sabem trabalhar com multiplataformas e interligá-las.

As Web Rádios vieram para ficar?

Elas já são realidade e a tendência é de crescimento. Afinal, a tecnologia possibilita uma boa qualidade do produto que chega ao ouvinte, Além disso, na web é possível criar uma relação diferenciada e próxima com o público. A interação é maior, o investimento é bem menor do que numa rádio tradicional possibilitando o desenvolvimento de projetos viáveis economicamente e menos dependentes de grandes anunciantes, que a cada ano se afasta mais do rádio.

Qual é o futuro da rádio?

O rádio terá que se adaptar novamente à realidade. Na frequência aberta (sinal aéreo) a música é o grande atrativo nas emissoras mais populares. As rádios segmentadas perderam público porque as pessoas são atendidas por serviços específicos através da internet. Nesse sentido, vale mais a programação falada tanto em jornalismo quanto em entretenimento.

O futuro do rádio depende da compreensão de quem está em seu comando. É fundamental deixar de lado a estrutura familiar para apostar num profissionalismo cada vez maior, com pesquisas, estudos e técnica em contraponto à intuição de quem nasceu no rádio. Os tempos modernos mostram que as emissoras mais fortes e produtivas deixaram de lado o antigo pensamento de que talento vem pelo DNA.