Quanto ganha um radialista?

Quanto ganha um radialista?

Sites de Empregos

O Site Nacional de Empregos (SINE), baseado em análise dos currículos cadastrados na plataforma, divulgou uma média salarial para radialistas. Um trainee, com menos de dois anos de experiência, tem um salário em torno de R$ 1.548,60. Um funcionário com mais de oito anos de experiência pode chegar a receber R$ 3.900,25.

Já o site VAGAS informa, em seu Mapa de Carreiras, três estimativas. Um radialista no início da profissão recebe abaixo de R$ 1.200,00; enquanto um mais experiente já pode ganhar acima de R$ 2.900,00. Em média, o valor recebido nesta profissão, de acordo com o VAGAS, é de R$ 1.500,00.

Entretanto, esses dados são apenas estimativas gerais de salário, pois não existe um piso salarial nacional para o trabalho de radialista. Cada estado, baseado em sua realidade social e econômica, determina o piso em comum acordo com o sindicato. Através das convenções coletivas estaduais, podemos analisar essa informação para obter um dado mais exato em nossa análise salarial.

Convenções Coletivas

De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho 2016/2018 do estado de São Paulo, o piso salarial para radialista é:

– Em capitais: R$ 1.551,00
– Em cidades com mais de 80.000 habitantes: R$ 1.373,00
– Em cidades com menos de 80.000 habitantes: R$ 1.120,00

A Convenção Coletiva 2017/2019 para empresas de rádio em Minas Gerais estabeleceu o piso salarial em R$ 1.462,10. Já no Rio de Janeiro, o valor é de R$ 1.460,16 para a capital e R$ 1.090,80 para interior. No Distrito Federal, o piso é R$ 1.620,00. Os dados foram consultados através das Convenções Coletivas disponíveis nos sites dos sindicatos.

Podemos perceber, analisando o piso das capitais, que o salário de um radialista está por volta de um salário mínimo e meio, considerando o valor de R$ 937,00, vigente em 2017. Este salário se aproxima bastante da média constatada pelos sites de vagas de emprego.

Análise de Mercado

Para refinarmos nossa análise salarial, realizamos uma pesquisa de mercado através de oportunidades de emprego disponíveis online. A pesquisa abrangeu oito sites diferentes e foram coletados dados de 29 vagas.

Das vagas analisadas, 68,97% eram destinadas a locutores. Apenas 10,34% solicitavam que o candidato possuísse curso superior, enquanto 48,28% exigiam experiência na área. A média salarial constatada foi de R$ 1.692,67.

Esses dados refletem com certa precisão as análises anteriores, mantendo a média de pagamento ao profissional de rádio de um salário mínimo e meio. Isso indica conformidade com o que exigem os sindicatos, um ótimo sinal para o trabalhador.

Outro dado importante são as exigências: enquanto uma porcentagem mínima necessitava de curso superior, quase metade das vagas analisadas exigia experiência na área. Isso indica que as empresas prezam mais pelo que o radialista aprendeu na prática.

Também é possível notar que o mercado de trabalho como Locutor está mais aquecido do que para as outras profissões, como Radialista, Sonoplasta e Operador de Áudio. Isso se deve, principalmente, ao fato de que não são apenas empresas de rádio que solicitam profissionais de locução. Supermercados e lojas, por exemplo, também contratam esses profissionais para anunciar promoções.

E se eu quiser crescer profissionalmente?

Se você já é um radialista ou pretende trabalhar com isso, é importante saber o quanto é justo cobrar pelo seu trabalho, para evitar que você seja enganado na hora da contratação. Infelizmente, como profissionais, não podemos confiar que as empresas irão respeitar o piso definido pelo sindicato.

Mas, além de saber os dados salariais da profissão, é muito importante saber o que deve ser feito para crescer na área. Para responder a essa e outras perguntas, entrevistamos o estudante de Jornalismo Pedro Maurício Pereira Filho, que faz estágio na Rádio UFMG, em Belo Horizonte.

O que é necessário aprender para crescer na profissão de radialista?

Pedro: Hoje em dia só é preciso um celular, e você consegue entrar ao vivo na rádio. Por ter essa facilidade, eu vejo a necessidade de que os profissionais da rádio sejam mais ágeis. Também é importante o conhecimento muito amplo do que está acontecendo a todo o momento. Eu vejo isso na CBN. Dez minutos após acabar algum evento, eles já estão ao vivo comentando o que aconteceu. Então você precisa aprender a ter essa agilidade, precisa ter esse conhecimento. Enquanto o profissional de TV produz uma matéria, no máximo duas, o profissional de rádio produz três, quatro. Também tem a questão da respiração, da locução, para ter mais fôlego. Às vezes você está num evento, andando, na rua, e precisa entrar ao vivo.

Vale a pena dedicar-se em várias áreas diferentes ou é melhor especializar-se em algo?

Pedro: Na Comunicação, como um todo, ninguém quer um profissional que só saiba fazer uma coisa. Eles querem um profissional que saiba entrevistar, escrever uma matéria, mas que também saiba tirar uma foto, postar algo no Instagram ou Twitter e, se precisar, apresentar o próprio jornal. A gente edita nossas matérias e, se acontecer algum problema, se o locutor não puder ir, precisamos apresentar. Também tem a questão de saber mexer nos equipamentos. Vale se especializar no sentido de, por exemplo, ser um especialista em Economia, isso é legal. Mas saber um pouco de tudo é melhor ainda.

Ainda há espaço para trabalhar em rádio?

Pedro: Sim. Eles estão procurando se adequar às redes sociais, e estão olhando isso com a rádio online. Nossas matérias, na Rádio UFMG, são postadas no Facebook, no Twitter e no site da UFMG. Também temos o exemplo da Rádio Super, que faz lives a todo o momento. Esse é engajamento que eles estavam procurando, essa é a proposta da rádio. Há espaço, há, mas é aquela questão da agilidade. O jornalista (ou radialista) vai fazer três ou quatro matérias, mas depende muito do veículo, da proposta do veículo. Na Rádio CBN, por exemplo, eles produzem muito mais por ter um teor de notícias, já na rádio UFMG cada pessoa produz em média uma matéria por dia.


 

E você? Já trabalha na área? O seu salário é compatível com a nossa pesquisa? Envie seus comentários 😉